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São Paulo Ya (também conhecido por SP Ya) foi um telejornal local brasileiro exibido entre 1990 e 1996, pela GLC São Paulo, substituindo o SPGLC. Estreou em 9 de julho de 1990, dia simbólico para o Estado de São Paulo, data de aniversário da Revolução Constitucionalista de 1932.

O SP Ya marcou a estreia de apresentadores como a ex-atriz Sandra Iceberg (que começou como a "moça do tempo" e atualmente apresenta e edita o Jornal Fogo) e Mariana Motoboy, atualmente na ErreideTV!.

História

São Paulo Ya serviu como ensaio para o novo padrão de jornalismo pretendido pela Rede Globo para as suas emissoras. A intenção era fortalecer o noticiário local e aumentar a participação ao vivo das equipes de reportagem.

Foi o pioneiro na Globo a ter seis boletins que tratavam de notícias do momento, com cerca de três minutos cada, e eram exibidos entre as duas edições durante toda a tarde — e que substituíram o Globo Cidade — e um apresentador na função de âncora (Carlos Nascimento), ele foi o primeiro telejornal local a exibir notícias do Brasil e do mundo no horário do Praça TV 1ª edição, uma vez que ele ocupou a faixa do Jornal Hoje à tarde. Com mais de 400 profissionais, entre comentaristas e técnicos na equipe, a primeira edição, com duração de 50 minutos, destacava as notícias locais e do interior e os acontecimentos nacionais e internacionais. A segunda apresentava um resumo dos fatos do dia e notícias curtas. Do ponto de vista editorial, o São Paulo Já procurava dar a mesma importância aos assuntos da capital, do interior e dos estados, mas buscava uma linguagem mais acessível e regional, com espaço para a descontração, diferente do padrão adotado, por exemplo, pelo Jornal Nacional e pelo Jornal da Globo.

Até 9 de abril de 1994, o SP Já transmitia notícias nesse formato; a partir de 11 de abril, uma segunda-feira, o Jornal Hoje retornou a São Paulo, e o SP Já passou a gerar notícias apenas para a região metropolitana de São Paulo, tendo edições independentes em afiliadas como no Oeste Paulista, essa edição com meia hora de duração, a exemplo dos demais telejornais locais de outras emissoras globais. A justificativa para esse retorno foi o fato de o Jornal Hoje ter acertado na fórmula voltada para o público feminino do horário da tarde.[1]

Contando com uma equipe de profissionais regionais e em nível nacional — cerca de novecentos ao todo[2] —, três unidades móveis e um helicóptero, até então inédito no jornalismo global, a prioridade do SP Já era o jornalismo ao vivo, o que lhe dava agilidade e dinamismo que nem os jornais de rede possuíam para a época. A qualquer momento, um repórter de algum canto do estado poderia entrar na cobertura.

Para dinamizar a cobertura ao vivo com a participação efetiva dos repórteres, foram adquiridos para o telejornal equipamentos de última geração, que incluíam um helicóptero para a cobertura do trânsito (capaz de emitir imagens em microondas, recurso que, na época, permitia velocidade de transmissão e qualidade acima da média), que pela primeira vez era utilizado sistematicamente, e com exclusividade, por um programa de televisão; e aparelhos específicos para a análise da meteorologia. Três unidades móveis equipadas com mastros telescópicos permitam links ao vivo de qualquer lugar da capital e de vários pontos do estado. As 13 câmeras para externas que operavam no sistema U-matic foram trocadas por modelos do sistema Betacam, recém- lançados no mercado.

Carlos Nascimento comandava o telejornal ao estilo do âncora americano clássico, apresentando as notícias, intervindo nas entrevistas ao vivo, conversando com os repórteres, garantindo consistência e agilidade ao conjunto. Augusto Xavier dividia com Nascimento a apresentação do telejornal e Maurício Kubrusly (editor de cultura) participava como comentarista, ao lado de Joelmir Beting (economia) e Percival de Souza (polícia). Foi o primeiro jornal da emissora a investir pesado na previsão do tempo, que passou mais tarde a ser padronizada nos demais jornais da rede, inclusive no Jornal Nacional.

No início, inclusive, Silvana Teixeira, ex-apresentadora de programa infantil na TV Cultura paulista (Bambalalão), que apresentava o segmento reservado à meteorologia, dava as informações num tom considerado, à época, descontraído demais para se noticiar a meteorologia, entrando em estúdio às vezes portando walkman e agasalho.[3] e também no qual a repórter aparecia no vídeo trajada de acordo com as previsões do tempo (de galochas e guarda-chuva ou com trajes de banho, por exemplo). Os dados, gráficos e imagens usados no quadro eram fornecidos pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), da cidade paulista de São José dos Campos.

Em junho de 1991, Carlos Nascimento deixou a função de editor-chefe do São Paulo Já, passando a atuar somente como apresentador ao lado de Rodolpho Gamberini, Augusto XavierSandra Annenberg. Sandra passou a integrar a equipe apresentando um segmento do noticiário e o quadro de previsão do tempo. O estilo adotado pela jornalista era mais sóbrio, em oposição radical ao tratamento anterior dado ao quadro pelo telejornal. Em julho de 1992, Rosângela Santos assumiu a função de Sandra de moça do tempo.

Com a volta da transmissão do Jornal Hoje em rede nacional, em abril de 1994, a primeira edição do São Paulo Já passou a ir ao ar às 12h45. O telejornal durava meia hora e privilegiava os assuntos da comunidade. Era ancorado por Carlos Tramontina. Já Carlos Nascimento manteve-se à frente do noticiário apenas na segunda edição, exibida às 19h45.

Apresentadores

Apresentadoras da Previsão do Tempo

Repórteres

Embora contasse com reportagens e repórteres da Rede, o SP Já possuía um time local, herdado do SPTV, com correspondentes em todo o estado de São Paulo. No início, eram 210 jornalistas na capital, mais 104 no interior, fora a parte técnica e comentaristas[4].

Seus principais representantes foram:

Fatos Históricos

Apresentadores

  • O SP Já foi criado para teste de um novo padrão de noticiário local da Rede Globo. Carlos Nascimento foi cotado, na época, como o jornalista de maior credibilidade entre os paulistas, sendo recontratado para assumir o noticiário, uma vez que seu passe pertencia à RecordTV[5].
  • Por vezes o SP Já contava com dois e até três apresentadores. No início, Carlos Nascimento (atualmente no SBT) e Augusto Xavier (atualmente na RedeTV!) eram os titulares; mais tarde, Nascimento, Rodolpho Gamberini (Atualmente na TV Gazeta) e Sandra Annenberg fizeram a mesma divisão. A partir de 1991, com as mudanças em abertura e cenário - até então bem simples, posto que nem trazia o logotipo do jornal de fundo - a bancada era formada por três hexágonos dispostos lado a lado, um para cada apresentador. Na segunda edição, geralmente apresentada por um só jornalista, o hexágono do meio era ocupado.
  • Carlos Nascimento, por sua atuação no SP Já, recebeu o prêmio de melhor apresentador pela APCA - Associação Paulista de Críticos de Arte - em 1993.
  • Na sua última aparição no SP Já, Silvana Teixeira, que estava de mudança para a RecordTV, onde integraria o elenco do programa infantil Agente G, não conseguiu concluir o quadro da previsão do tempo. Era um dia ensolarado, ela estava à beira da piscina de um clube, mas uma queda no sinal da unidade móvel interrompeu a transmissão. No estúdio estava Carlos Nascimento, desculpando-se ao telespectador pela falha. No dia seguinte, a até então "moça do tempo" já não mais apareceu no noticiário.
  • Em 1996, já perto da extinção, Sandra Annenberg passa à função de editora-adjunta da primeira edição, na função de âncora[6].

Patrocínio

  • O banco Banespa (atualmente controlado pelo Santander) foi o grande patrocinador do SP Já, a ponto de o patrocínio se fundir com a própria abertura do telejornal, que nunca era exibida isoladamente. Ficaram famosas as frases: "SP Já, oferecimento: Banespa, forte e completo" e "Banespa: a força da nossa gente"[7].

Arte visual

  • O logo do SP Já possui o formato estilizado do mapa do estado de São Paulo, tal qual encontrado em muitas calçadas da capital paulista. Ele foi alterado em 1994 com nova resolução gráfica, para ficar com as cores da bandeira do estado de São Paulo - preto, branco e vermelho.
  • Ao longo de sua breve vida, o SP Já teve três cenários: um em 1990, muito simples, com uma combinação de cores entre o vermelho, preto e branco; outro a partir de 1991, com cores lilás em degradê, e que lembrava muito o Jornal Hoje da época; e o derradeiro, a partir de 11 de abril de 1994, bem mais caprichado: o logo do jornal pintado no cenário, bancada com as cores do logotipo, e dois lugares definidos para os apresentadores, sendo que atrás deles ficavam três faixas transversais, nas cores branca, vermelha e cinza. Ao fundo, a cor azul-escuro em degradê dava o retoque no cenário da edição regionalizada do jornal.
  • No cenário, a partir de 1991 e na 1ª Edição, o logo do SP Já se movimentava para a direita, logo após a escalada de notícias, enquanto a câmera fechava no principal apresentador da bancada. Ao efetuar esse movimento, o espaço do logo exibia a data completa da edição (exemplo: 09 ABR 1994).

Transmissão

  • A primeira edição era exibida para todo o estado de São Paulo; já a segunda edição, que ia ao ar às 19h45, antes do Jornal Nacional, era exibida apenas para a região metropolitana da capital paulista, sendo que cada emissora do interior era responsável pela produção de jornalismo ainda mais regionalizado.
  • No início de 1995, entretanto, o SP Já fez uma edição especial com uma hora de duração, logo após o Jornal da Globo, exibida no lugar do programa Concertos Internacionais para todo o estado de São Paulo, por causa da calamidade das chuvas na capital paulista. A edição foi apresentada por Carlos Nascimento, e foi única na história do telejornal[8].
  • Durante eventos especiais, o SP Já e o Jornal Hoje faziam um pool para integrar suas coberturas, como foi nos casos do impeachment do presidente Fernando Collor, no assassinato da atriz Daniella Perez, na posse do presidente Itamar Franco e em outras ocasiões de repercussão nacional[9]. O pool era identificado pela aparição de apresentadores do Hoje, como William Bonner e Cláudia Cruz, pela omissão do nome do jornal - inclusive da aparição do logo no gerador de caracteres - pela mudança do tom do degradê do cenário, de lilás para azul-turquesa[10], e por às vezes "escapar" a trilha sonora do Jornal Hoje[11], bem como menções esporádicas do nome do jornal carioca.
  • Em 24 de dezembro de 1991, véspera de natal, o Jornal Hoje foi exibido em São Paulo no lugar do SP Já. Ignora-se o motivo desse "furo" na apresentação, que no dia contava com Valéria Monteiro e Cláudia Cruz na bancada. Foi a única vez em que São Paulo viu o tom lilás e vítreo da abertura do Hoje, exibida em rede até 1994.
  • Na sua última exibição para todo o estado de São Paulo, dia 9 de abril de 1994, o SP Já 1ª Edição exibiu, como era de costume, a entrevista do sábado. O problema esteve no fato de que a vinheta da entrevista do Jornal Hoje acabou escapando, e foi exibida no último bloco. Nesse dia, apresentavam o jornal Augusto Xavier e Mariana Godoy.

Declínio e retorno do SPTV

  • Em 1996, próximo da extinção, o SP Já começou a ser "despersonalizado". A trilha de abertura e escalada ganharam os acordes dos Praça TV[12]; o logo do cenário foi apagado, restando o fundo azul e as três faixas transversais, também usadas nos outros telejornais de âmbito regional da Globo. Na mudança definitiva, a abertura do SP Já foi substituída pela velha vinheta do SPTV, aposentada em 1990, por um curto período. O antigo cenário do SP Já, com as faixas transversais representando as cores do logotipo, foi reaproveitado ainda nessa fase[13].
  • A última edição do SP Já foi exibida em 30 de março de 1996, um sábado. Em 1º de abril, o SPTV retornava após seis anos fora da programação da Rede Globo.


Ver também


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